A Cortiça é a casca da árvore Quercus Suber L. (sobreiro), espécie nativa da bacia do Mediterrâneo, sendo Portugal o seu maior produtor mundial. Os sobreiros crescem de uma forma livre de intervenções humanas, não havendo necessidade de utilização pesticidas, irrigação ou podadura.

Os sobreiros são considerados património nacional, estando protegidos pela lei portuguesa: as árvores não podem ser abatidas. A primeira tiradia só acontece quando as árvores atingem cerca de 25 anos, e a partir daí, de 9 em 9 anos. Isto encoraja não só um planeamento sustentável e a longo prazo, mas também a plantação para as gerações vindouras, em vez de buscar o lucro singular e rápido. Os sobreiros podem crescer até 25 metros e atingir os 300 anos de vida. Um sobreiro pode dar cortiça várias vezes durante o seu período de vida, sendo que, em média, cada sobreiro dará cerca 200 kg de cortiça, o suficiente para produzir cerca de 25.000 rolhas de cortiça natural. Os montados (florestas de sobreiros) proporcionam também um habitat único para diversas espécies ameaçadas, sendo ainda um recurso crucial contra a desertificação e propagação de incêndios.


A tiradia da cortiça (em pranchas) é efectuada manualmente. Trata-se de uma operação extremamente delicada executada por trabalhadores especializados, devidamente formados e treinados para esta operação sazonal. São utilizados instrumentos de corte (machados) para cortar a cortiça em secções, sem ferir o tronco da árvore. Após estes cortes, a cortiça é retirada da árvore com a ajuda dos machados e cunhas. A cortiça separa-se da árvore com facilidade, e depois da tiradia, o sobreiro consegue fixar 5 vezes mais carbono. Está regulamentado que cada tiradia deve estar espaçada por um mínimo de 9 anos, de modo que após cada tiradia, o último dígito do ano é marcado na árvore, assegurando assim que a sua cortiça não será retirada antes do tempo.

As propriedades fascinantes da cortiça foram notadas há já alguns milhares de anos: escritores como Plínio, Ésquilo, Píndaro e Teofrasto escreveram sobre aquela árvore cuja casca podia ser retirada sem qualquer prejuízo, e relataram o uso da cortiça para vedar ânforas, para o fabrico de calçado e flutuadores e ainda como material de isolamento. As propriedades que os nossos antecessores descobriram empiricamente na cortiça, são as mesmas que fazem desta cortiça um material único e insubstituível nos dias de hoje.

Assim, a cortiça é mais do que um material notável devido às suas características: é também um produto natural e sustentável; escolher cortiça significa escolher uma vida melhor, num planeta melhor.

De uma árvore que continua a crescer...